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Mensagem por Marcus Silva em Ter Mar 20, 2012 2:44 pm

O maior projeto para um encouraçado foi provavelmente o H-44, desenvolvido na Alemanha nazista no ano de 1944, mas jamais construído.

Surgiu de sucessivas ampliações do projeto H, concebido em 1939 como uma versão ampliada do Bismarck. Teria duas chaminés, oito canhões de 406 mm (em vez dos oito de 380 mm do Bismarck), um comprimento total de aproximadamente 275 metros e um deslocamento máximo de 66.641 t.

O resultado seria um navio comparável ao japonês Yamato. Seu armamento seria inferior (o Yamato tinha nove canhões de 460 mm), como também sua blindagem (300 mm de aço no costado e 150 mm no convés, ante 410 mm e 230 mm, respectivamente, no encouraçado japonês). Por outro lado, sua velocidade seria maior (30 nós, ante 27 nós). Sua maior vantagem seria que, graças a sua maquinaria diesel, seria capaz de navegar 16.000 milhas a uma velocidade de 19 nós antes de reabastecer, enquanto o navio japonês, com suas turbinas a vapor, alcançava apenas 7.200 milhas, a 16 nós.

Seis desses navios integrariam o plano Z, um projeto ambicioso e abrangente – mas já anacrônico – para construir uma armada capaz de superar a marinha britânica. O anacronismo estava na ênfase exagerada dada aos encouraçados e aos cruzadores de batalha, numa era em que os porta-aviões já começavam a demonstrar seu potencial.

Chegou-se a iniciar a construção do primeiro navio da classe, mas foi interrompida quando ao se iniciar a guerra, quando, mui sensatamente, a marinha alemã decidiu concentrar esforços na construção de submarinos. A sensatez, porém, acabou aí.

Os almirantes alemães decidiram aproveitar o adiamento para melhorar a blindagem e a proteção contra torpedos do projeto original. Tentavam equiparar-se aos avanços técnicos dos aviões navais e dos submarinos, em vez de concluir que estes progressos estavam tornando os encouraçados definitivamente obsoletos. O afundamento do Bismarck, em maio de 1941, só fez alimentar ainda mais a obsessão pela idéia de um encouraçado “inafundável”.

Absurdamente, o projeto continuou adquirindo proporções cada vez mais megalomaníacas até o final de 1944, quando os soldados soviéticos já estavam pisando o território do III Reich, a guerra já estava evidentemente perdida e a marinha alemã já havia perdido praticamente todos os seus grandes navios de superfície.

Na versão final, o encouraçado deslocaria 141.500 toneladas métricas (bem mais que o maior navio de guerra da atualidade, porta-aviões nuclear Nimitz) e teria um comprimento total de 360 metros (345 metros na linha d’água). Com blindagem de 380 mm no costado e 330 mm no convés, levaria oito canhões de 508 mm, que disparariam balas de duas toneladas. Seria capaz de navegar 20.000 milhas sem reabastecer – praticamente uma volta ao mundo. De resto, porém, suas características não parecem tão impressionantes. O projeto, como um todo, não se mostrou muito inspirado: continuou sendo essencialmente um Bismarck ampliado, mas agora quase três vezes maior que o original.

Algumas fontes vêem esse encouraçado gigante como mais um dos caprichos de Hitler, mas, na nossa opinião, a história do projeto H-44 não confirma esse ponto de vista. O Führer de fato se interessou pelo projeto, mas a forma que tomou não reflete tanto seu enfoque agressivo e seu desejo de canhões imensos – chegou a propor canhões navais de 800 mm – quando a fixação defensiva dos almirantes na idéia de um encouraçado com grande autonomia e capaz de sobreviver a qualquer ataque imaginável.

Em todas as suas versões, o projeto H teve um poder de fogo menor que o de outros encouraçados do seu tamanho. Os canhões de 508 mm só passaram a fazer parte do projeto quando a busca de invulnerabilidade já tinha resultado num casco tão grande que seria incoerente usar armas menores. Mesmo a gigantesca versão definitiva pode ser considerada sub-armada para seu tamanho. Assim como o próprio nazismo, o H-44 foi o ponto culminante de uma mania coletiva e não um capricho de um indivíduo poderoso.

Não se tratava só de um gosto pelo gigantismo, mas de um apego irracional ao conceito de encouraçado, numa era em que sua obsolescência já era evidente. Sob esse ponto de vista, o cúmulo do absurdo não foi atingido com o H-44, que afinal nunca saiu do papel, mas com a reativação no mundo real dos encouraçados da classe Iowa – aposentados desde a década de 1950, exceto pela breve reaparição do New Jersey, em 1968, para bombardear as costas do Vietnã – por Ronald Reagan e George Bush (o pai) já na era dos mísseis intercontinentais e dos submarinos nucleares, em plena década de 1980! O último deles só foi tirado definitivamente de serviço em 1992.

Almirantes e chefes de Estado manifestavam sua nostalgia por uma era mais simples, em que o poderio naval se manifestava através de grandes navios carregando canhões bem visíveis e fáceis de compreender e não através de armas complexas e misteriosas, como caças supersônicos e mísseis de longo alcance lançados de submarinos. Sobretudo, uma era em que as batalhas navais eram travadas de forma clara e barulhenta, com os inimigos à vista um do outro. Uma era de relativa “inocência”, quando não era preciso se preocupar com torpedos lançados de submarinos invisíveis, aviões surgindo do nada e mísseis dirigidos por satélites e lançados de milhares de quilômetros de distância.

Um interessante sintoma dessa nostalgia é a quantidade surpreendente de encouraçados preservados até hoje, geralmente como museus ou memoriais. Nos Estados Unidos, são nada menos que oito: Texas, North Carolina, Massachussetts, Alabama e Missouri – todos transformados em museus – mais o New Jersey, Iowa e Wisconsin, cujo destino ainda é incerto.

É verdade que todos eles estiveram presentes na II Guerra Mundial, mas todos os especialistas em história militar concordam em que seu papel foi secundário. Foi um grande golpe de sorte o fato de nenhum dos sete porta-aviões que os EUA possuíam em dezembro de 1941 estava em Pearl Harbor no dia do ataque japonês (conduzido, aliás, por seis porta-aviões). Mas os oito encouraçados temporária ou definitivamente inutilizados nesse dia quase não fizeram falta.

Porém, as tentativas de levantar fundos para preservar o Enterprise CV-6 fracassaram na década de 1950. Embora sete porta-aviões norte-americanos usados na II Guerra Mundial tenham sido preservados, o último sobrevivente dos porta-aviões que enfrentaram o poderio naval japonês nos primeiros meses da guerra no Pacífico foi ignominiosamente sucateado.

O Japão também preserva um encouraçado, o Mikasa (relíquia da guerra russo-japonesa). O Chile conserva outro, ainda mais antigo, o Huáscar (capturado ao Peru na Guerra do Pacífico).

Assim como muitas crianças adoram dinossauros e às vezes gostariam que eles ainda existissem, muitos fãs de história naval são fascinados pelos extintos encouraçados e alguns deles sonham vê-los de novo singrando os mares, como se pode constatar em diversos fóruns da Internet. Veja, por exemplo, a discussão em Battleships: Should They Be Back In Service?, por disparatada que essa idéia tenha se tornado neste século 21.

Mas a mais divertida manifestação dessa nostalgia pelos encouraçados é o animê Uchuu Senchen Yamato (Encouraçado Espacial Yamato, vertida para o inglês com o nome de Star Blazers). Nessa série de ficção científica, o Yamato, maior encouraçado efetivamente construído de todos os tempos, é resgatado em 2199 das profundezas (para onde foi enviado, em 1945, por um ataque aéreo norte-americano) para ser transformado numa nave interestelar e combater alienígenas invasores da Terra!

A ilustração abaixo compara, na mesma escala, o projeto H-44 com a maior belonave da atualidade - o porta-aviões Nimitz -, com três dos maiores e mais famosos encouraçados da II Guerra Mundial - o Yamato, o Iowa e o Bismarck -, e com um dos dois encouraçados que o Brasil possuiu até a década de 1950 - o São Paulo. O outro, quase idêntico, era o Minas Geraes.


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Mensagem por Admin em Qui Maio 17, 2012 6:56 pm

Movido para o fórum correto

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Mensagem por Emerson S Vica em Qui Maio 31, 2012 2:15 pm

Gostei da materia...

abraços

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